Monday, June 26, 2017

E depois acontecem assim... coisas

Tenho andado com dezenas de planos em mãos para os dias em que ficaria em casa. A prioridade seria sempre preparar tudo para o nascimento do bebé, depois, orientar e preparar algumas coisas em casa, costurar, ler todos aqueles livros que sei que não vou ter tempo para ler quando ele nascer, fazer os cursos online que tenho pendurados, fazer ilustrações espetaculares, escrever muito no meu diário, no blog, e lançar uma nova imagem espetacular para o mesmo, com inauguração com pompa e circunstância e o presidente a cortar a fita com uma tesoura gigante... Mas sabem que mais? 


... A vida nem sempre é como se planeia, e quando detalhamos este e aquele passo, quando os encaixamos em sequência na nossa lista de tarefas, damos conta que nem sempre as coisas seguem os pressupostos iniciais e nem sempre temos energia para as coisas. Subestimei esta fase e na verdade, estou de rastos, ando mais ansiosa do que previa, com muitas insónias, sempre com mil coisas a fazer, a sensação que tudo depende de mim, e muito pouca energia (e mesmo assim já risquei muitos items da minha to-do list), cansada da sensação que não faço o suficiente, de ainda não ter decidido isto ou aquilo, de não ter visitado o hospital, de não ter feito um curso pré-parto (e não quero mesmo fazer um, será que vem mal ao mundo por isto? Mas antes as mulheres não pariam sem cursos e esse tipo de preparações?)... Eu sei que estou rodeada de apoio e óptimas intenções, mas começo a não ter espaço para tudo, e começo a ver a meta e confesso... este desconhecimento do que aí vem assusta-me um pouco. 

Não por ter de tratar de um bebé, de ter um ser dependente de mim, o parto não me faz espécie, nem as provações da amamentação (excepto não poder beber álcool). Talvez seja ingénua, talvez seja egoísta, mas a verdade é que o que me assusta e não saber até que ponto a minha vida vai mudar, até que ponto vou deixar de ter tempo e cabeça para aquelas coisas que adoro fazer e será que vou sobreviver sem elas, por muito que o meu filho venha a ser um ser adorável e por muito que me imagine a passar horas intermináveis a cheirá-lo e a admirá-lo (porque claro que isso vai acontecer). Conto com as hormonas para me fazerem cair de amores pelo pequeno ser que me pontapeia sem dó nem piedade (as we speak) e me façam afastar os receios de me tornar menos eu, de me afundar num mundo de maternidade e domesticidade que não sei se me adequo.

E tudo isto para dizer...
Tenho uma imagem nova no blog. 

Comecei esta manhã devagarinho, com vontade de olhar para isto com olhos de ver, de me organizar e orientar, de talvez por ordem no tasco e isto começou a desenvolver-se para lá do meu controlo e agora já está, sem planos, sem um lançamento adequado, sem pompa e circunstância, apenas a imagem que eu já desenvolvi há uns tempos, um código de cores definido num tirinho, enfim, tudo aquilo que desaconselho e me tento afastar no meu dia a dia. 

(Photo by Clem Onojeghuo on Unsplash)

Claro que não foi tudo à balda e esta preparação já tem alguns meses, mas ainda assim, é interessante ver as coisas a surgir assim do nada. O meu lado control freak está um pouco confuso, mas como vejo em tantos sítios e tanta frase feita... done is better than perfect. Não creio que isto esteja para já terminado, ainda faltam acertar bastantes detalhes e talvez isto ainda vá mudar novamente mas... apeteceu-me tanto começar a usar o meu novo logo, apetece-me tanto que o meu blog tenha uma cara nova ao fim de tanto tempo, e queria que fosse antes do bebé nascer e de eu ser engolida pela maternidade... Não resisti.

Depois de meses de planeamento, listas detalhadas no Evernote, artigos e posts lidos sobre branding, e tanta pesquisa... é isto. Surgiu um pouco do nada, a surpreender-me.
Como a vida aliás. 

Porquê simplificar o nome do blog e passar a ser "A box" (se bem que mais nada mudou)? Porque esta caixa, ainda que minha, é feita de tanta coisa que não sou só eu. Contém os meus pensamentos, desejos, a minha criatividade e alguns sonhos, mas também as influencias dos outros em mim, a vossa energia que me acompanha, e, se pensarmos bem, não será muito diferente das vossas e é mais uma no meio de tantas. Todos guardamos o que nos é mais queridos nas nossas caixas... colecções, fotografias, desenhos, cartas, lápis, sapatos, bolos...
Bem, na verdade talvez não existam caixas, e estamos sempre a tentar pensar fora da dita, mas seja como for... precisamos de um sítio para guardar as ideias no fim do dia. Este é o meu.

Espero que apreciem e me digam o que pensam, está sempre tudo em aberto e eu prometo que não serei (demasiado) sensível às críticas negativas.

Friday, June 23, 2017

Eu apenas, grávida


Como tinha dito por aqui, queria muito tirar fotos "descomplicadas" da minha barriga, e combinei desde o início com a Ana Luísa. Conheço-a há alguns anos, adoro o trabalho dela, confio nela e sei que me iria sentir mais tranquila com ela por detrás da câmara. Não tenho jeitinho nenhum para que me tirem as fotos, e confesso, no início, estava super atrapalhada (e vendo as fotos todas na sequência certa, vê-se bem a evolução do meu estado de espírito e conforto ao longo da sessão), no entanto, do início ao fim não continha um sorriso e uma alegria enorme por fazer este processo com a Lu, ainda mais onde foi.

Encontrámo-nos no LX Factory a semana passada, decidimos que uma sessão num ambiente urbano seria interessante e diferente do cliché dos jardins e da luz filtrada pelas folhas. Este sítio guarda imensas memórias nossas do início da nossa amizade, quando fazíamos as caminhadas ali pela zona, ou eu ia lanchar com ela ao cowork quando ela por lá trabalhava, por isso tinha tudo para nos inspirar a ambas. 

A Lu preveniu-me para não levar demasiados adereços, ao que eu respondi que não tinha interesse nenhum em trazer coisas da criança para a sessão. Não gosto desses artifícios. Na verdade, fui apenas eu, o meu vestido cor-de-rosa e nem me lembrei de trazer sequer uns brincos. Mas acho que isso funcionou a meu favor.  Apesar de me sentir já muito pesada e inchada nesta fase final, sinto-me bastante bem sendo apenas eu, e acho que há fotos que transmitem mesmo isso, eu apenas, grávida. Como ando no dia-a-dia, como me sinto confortável nos dias que correm.

E aconteceu magia. Percorremos todas as fachadas que nos lembrámos, encaixei-me nos grafittis e nos pormenores arquitectónicos, ela procurou a luz e os ângulos mais interessantes. E aquilo que começou por ser uma sessão de maternidade no meio da cidade ganhou contornos artísticos e uma liberdade inexplicável. Ela já nem precisava de puxar por mim, sugeria um recanto, um ângulo e lá estava eu. 

A Lu estava feliz de experimentar coisas diferentes e ambas estávamos mais uma vez, a transbordar de inspiração e alegria com o que tínhamos em mãos. Já não acontecia há algum tempo, e foi bom. 

Há fotos absolutamente espantosas, e eu por vezes ainda me comovo com algumas e com todas as recordações que estão implícitas em cada momento. Há realmente algo poderoso quando fazemos algo de criativo com alguém que nos é chegado, e senti que houve uma energia tão boa e uma sintonia grande naquelas horas. 
Repetiria o processo se pudesse. E ela ainda não voltou para Londres e já tenho saudades imensas desta miúda. Faz muita falta a Lisboa, a Lu. Mas agora o percurso dela é este e não deixo de estar absolutamente orgulhosa e feliz de a ver percorrê-lo com tanta gana e graça. 

Não tenho palavras para agradecer o que ela fez por mim, não só nesta sessão, mas ao longo da nossa história juntas, mas aqui fica o post com toda a minha tosca gratidão. 














(todas as fotos são da incrivelmente talentosa Luísa Starling)

Tuesday, June 6, 2017

O que perdemos pelo caminho

Não sei bem como começar este post, mas tenho de falar sobre isto. Na passada sexta um antigo amigo do colégio contactou-me via facebook. E foi uma agradável surpresa durante para aí uns 3 minutos, até que percebi que o motivo pelo qual ele me contactava era para me informar que uma amiga nossa do secundário morreu. 

Já não falava com a M. há mais de 10 anos, trocava breves comentários no face, ou no dia de anos dela mandava um beijinho e assim ficávamos. A vida afasta-nos das pessoas, é inevitável. Acho que nem eu nem ela lamentámos muito isso, acontece simplesmente. Mas o afastamento nunca determinou que ela não tivesse sido importante para mim. 

Nunca fomos as melhores amigas mas tinhamos um bom entendimento, nos tempos do colégio juntávamos com frequência um grupinho e íamos a casa dela com frequência, seja para passar a tarde, para estudar, para nos arranjarmos para alguma festa, a cadela dela, o ser mais doce que me lembro, era como se fosse nossa também (pesou-me muito quando morreu), saíamos muitas vezes à noite, os meus primeiros fins-de-semana fora foram com ela, foi ela que me apresentou ao Friends, e ainda hoje, quando vejo episódios desta série, lembro-me dela. 
Nem sempre era fácil conviver com a M., ela precisava por vezes de atenção que ninguém compreendia, era sensível e tempestuosa, conseguia ser incrivelmente competitiva com as outras raparigas, mas comigo nunca o foi. Sempre senti que tínhamos uma amizade bastante simples e limpa. Talvez os sinais tenham estado sempre lá, e se calhar todos devíamos ter sabido mais cedo que ela não estava bem aqui. Porque a M. decidiu morrer. 
Ontem foi o velório. Não pude ir porque estava refém do centro de saúde, mas também não sei se conseguiria enfrentar vê-la sem vida. Talvez ela esteja finalmente em paz, talvez aquela inquietação tenha finalmente ido embora quando ela decidiu terminar tudo. 

E quanto a mim, penso nela incessantemente há 4 dias, sem saber muito bem como lidar com a estranheza disto tudo. Prefiro lembrar-me dela como aquela miúda meio rebelde, que foi a primeira a fazer um piercing e tatuagens ainda durante o secundário, que trabalhou num bar e nos dava bebidas à borla, que me acompanhava nas noites de karaoke quando eu (achava que) sabia cantar e me apoiava incondicionalmente, que nos abriu sempre as portas de casa dela e nos deixava sempre à vontade, e que no concerto dos Limp Bizkit (ih pois foi, fomos ver esse!) foi chamada para os conhecer ao backstage apenas por ser uma miúda gira. Foram tão bons tempos, sinto-me tão grata por tê-los vivido com ela. Quero lembrar-me do sorriso e do entusiasmo dela, de como a tornavam mais bonita. Quero acreditar que ela viveu antes de morrer.  Quero não me esquecer.

O ano passado e este ano têm sido anos de perdas duras. O meu mundo vai mudar e vem aí uma pessoa nova em folha (entre tantas que vão nascer ou já nasceram este ano). Faz parte, as gerações renovam-se. Fico com tanta pena de ver tantos a perderem-se pelo caminho, de não poder viver tudo isto com elas por cá. Parece que crescer é isto, mas gostava mesmo que abrandasse o ritmo durante uns tempos. Anda a ser duro demais.

Friday, June 2, 2017

Coming home

Hoje foi o meu último dia de trabalho. Vou finalmente para casa usufruir de algum descanso pré-bebé, talvez um pouco mais cedo do que o previsto inicialmente, e a verdade é que me deparo com uma dualidade interessante dentro de mim. 

Sinto necessidade de justificar a toda a gente porque vou para casa tão mais cedo do que o esperado, como se tivesse vergonha ou fosse preguiçosa por o fazer. 
Não preciso. Eu até podia não estar podre de cansada, a sofrer com as poucas horas de sono, com as dores de costas e todos os sintomas menos românticos da gravidez, que podia parar e ir descansar se me apetecesse. Mas a verdade é que padeço destes todos e mais uns quantos, e cheguei a um ponto em que sinto que não consigo esforçar-me mais. Especialmente quando dei por mim mais do que uma vez com a sensação de que não estou em condições para conduzir. É assustador.
Fiz por e organizei-me para poder ter este “benefício”, porque de facto o ano passado ia rebentando a cabeça com o excesso de coisas por pensar e fazer. E como o ano passado aprendi que tenho de ouvir o meu corpo e não quero testar os limites, vamos tentar começar em vantagem e gozar de algum sossego antes da criança me vir virar a vida do avesso por todos os bons motivos.

 Eu sinto-me mais confortável com esta decisão. E não acho que me vá aborrecer por ficar dois meses sem nada que fazer (pois, como se isso fosse possível).

Há sempre teorias para tudo no que toca a gravidez e a opinar sobre as decisões das mães de ficar ou não em casa. As pessoas não têm de fazer tudo igual. Cada um decide como se sente mais confortável. E não deverão haver julgamentos. Especialmente meus. 

Desenganem-se se acham que vou estar os dias inteiros refastelada no sofá a devorar tudo o que aparece no Netflix. Há muitas coisas que quero e preciso de fazer. Tenho uma lista imensa de preparativos para a chegada do meu miúdo, coisas por montar, por arrumar, por lavar. Malas de maternidade por fazer. Outra lista de coisas que quero arrumar, limpar e orientar em casa. Quero também fazer algumas coisas à mão para o quarto das crianças, e outras tantas por mim e para mim. E ler e escrever e desenhar muito. Fazer caminhadas e também aproveitar toda a praia que puder. 
E claro que vou percorrer a minha wishlist do Netflix, porque é óbvio que vou estreitar a minha relação com o sofá de vez em quando.

Em breve a minha vida vai mudar e ainda não sei muito bem como. Por isso nada como usufruir destes dias mais meus, dedicar-me efectivamente a esta coisa do nesting, e também a tirar algum tempo para ser apenas eu (ou assim espero). Porque sei que durante uns tempos apenas serei mãe. 

Estou entusiasmada e feliz. Toda uma nova fase começa a partir de agora, há uma sensação de finalidade grande nisto e ainda bem.  É estranho e um pouco assustador, mas o entusiasmo ainda prevalece. Tudo se torna mais real. 



(e quando escrevi este post, ainda não tinha acontecido, mas não podia deixar de comentar que ainda tive direito a uma despedida surpresa no trabalho, com direito a bolo de chocolate e a mimos dos colegas. Soube muito bem ser acarinhada por todos, apesar de detestar ser o centro das atenções. Que comece a contagem decrescente!)

Saturday, May 20, 2017

Bliss

Começo a ver o tempo a passar e em breve vai tudo mudar. Já tenho mil listas para fazer e coisas por organizar para a chegada do pequeno ser, e o tempo a apertar. Questiono se conseguirei fazer tudo a que me proponho, mas acredito que estarei focada e cheia de vontade de fazer tudo o que quero fazer (ajudava se eu só quisesse lavar roupa e colocar lençóis no berço, mas não, quero pintar a cama de grades e quero fazer almofadas, sou uma pessoa louca com demasiadas ideias e pouco tempo).

Mas antes, e como não tenho hipótese de ter férias normais este ano, vou fazer uma pausa de verdade (as do sofá não contam) e aproveitar este fim-de-semana para subir um pouco até o Norte e descansar verdadeiramente perto da Natureza, namorar, apanhar sol e piscina (caso o tempo o permita) para esquecer que peso quase tanto como um hipopótamo bebé, fotografar e ler... ou simplesmente babar num canto, não interessa. Depois disto vai ser o Deus-nos-acuda, por isso desejem-me dias pacíficos e que o miúdo não se lembre de nascer pelo caminho.
Vou andar mais pelo instagram nestes dias. Acompanhem-me por lá e até ao meu regresso!

Thursday, May 18, 2017

6 coisinhas...

(imagem do maravilhoso Unsplash)

Enquanto aguardo por tempos mais frutuosos para voltar a uma escrita mais regular (talvez quando entrar de baixa - naqueles dias, espero, pacíficos, antes da criança nascer, imediatamente antes de eu voltar a não conseguir postar nada outra vez...), gosto só de parar um pouco por cá, arejar os caracteres, dizer nada de especial. Talvez os posts curtos até façam sentido por uns tempos...
Por aqui vive-se intensamente cada emoção, culpo as hormonas dos meus males, carrego em mim todas as dores de alma e não só. A gravidez não me deu sintomas estranhos ou fora do normal, apenas crises emocionais complexas que são parecidas com as que já tinha antes, mas exponencialmente maiores, algo como um SPM fora de controlo.

É engraçado que no estado caótico em que as coisas se encontram nesta altura do campeonato, vou encontrando alguns fios perdidos, e vou dando algum sentido a tanta coisa. 

E nestes momentos, encontro algumas conclusões em jeito de lições de vida que preciso de ter perto de mim, mas que talvez também vos sejam úteis ou façam sentido e por isso quero partilhá-las...

1- Preocupa-te menos em agradar
Nunca podes agradar a todos, e por vezes, nem a ti própria, por isso, nada como não levar as coisas demasiado a sério e descontrair um pouco

2- Relaxa... não podes controlar tudo a toda a hora
Dispensa explicações, não?

3- Dá tempo ao tempo
A paciência nunca foi uma virtude minha, mas tenho mesmo de aprender a cultivá-la. A aceitar que as coisas levam o seu tempo, que não são imediatas. Este pode ser um dos grandes motivos pelos quais eu não consigo cumprir dietas e afins. Não estou para esperar.

4- Não percas de vista o que é importante
É normal ser apanhada no turbilhão de emoções, tarefas, e tantas outras complexidades e distrações da vida. Mas de vez em quando há que perceber porque fazemos o que fazemos, onde queremos ir, com quem queremos estar... Perceber onde estamos e se estamos a fazer o nosso caminho.

5- Se tudo parar, o mundo continua a girar. 
Podes fazer umas pausas, a vida na terra não desaparece por isso.

6- Escreve o que sentes, o que te vai na alma, escreve parvoíces e acontecimentos banais do dia, o que pensas, o que te apetece. Escreve porque te faz bem.
Ultimamente os meus diários têm sido alimentados com mais frequência e adoro poder reflectir um pouco mais, poder recriar os meus pensamentos, limpar a cabeça nas palavras. Gostava era que fosse um exercício diário, mas pronto, é um work in progress.

Wednesday, May 10, 2017

Telegrama

Encontro-me bem. STOP. Demasiado trabalho para respirar. STOP. Muita inspiração e vontade de postar. STOP. A barriga está gigante, irra! STOP. A programação normal segue em breve. STOP. E novidades também! STOP.
Obrigada pela paciência malta. :)

Wednesday, April 12, 2017

My greatest music crush...


Ouvia o Mama’s Gun da Erykah Badu a caminho da faculdade com 19, 20 anos. Inicialmente, a musicalidade e as passagens entre músicas eram o que mais me atraía. Lembro-me que ouvia como um agradável ruído de fundo que me embalava o caminho e me fazia sentir inevitavelmente cool e na vanguarda dos gostos musicais semi alternativos do R&B e Soul. Claro que foi a minha amiga Sara quem me emprestou o álbum pela primeira vez, ela deu-me sempre a conhecer coisas fantásticas e sempre teve um gosto impecável.

Lembro-me perfeitamente da primeira vez que percebi que estava a reter as músicas quando dei por mim na fila do bar da faculdade a cantar o “kiss me on my neck” e percebi que precisava de ir para o carro e procurar a música em questão e ouvi-la com outra atenção. Nessa altura o álbum rolava inteiro sem preferências por uma outra faixa e nem sequer retinha os nomes das músicas. A partir daí comecei a prestar mais atenção. Lia as letras, retinha mensagens, identificava-me. Ouvia-o uma e outra vez e enraizou-se em mim

Naquela altura, solteira e descomprometida, sentia que aquela música dizia tudo sobre quem quer procurar o amor e a cumplicidade. Ainda hoje, ao adormecer com a respiração do meu amor no meu pescoço penso sempre na letra “…and kiss me on my neck, and breathe on my neck…” e sinto que as coisas estão bem.

Este álbum fala-me directamente ao meu íntimo, parece que foi feito para mim e em muitos aspectos definiu-me os meus primeiros anos como adulta e acompanhou-me desde sempre. Foi de lá que, apesar de estar mal escrito, retirei o meu nickname que me acompanha nos blogs desde 2005… “when incense burns, smoke unfurls, analogue girl in a digital world”. Esta frase ainda hoje resume muito de quem sou. 

A Erykah conhece-me melhor que eu própria. 

Este álbum envelheceu muito bem, continua com uma sonoridade impecável, algumas das músicas já são clássicos, outras parecem-me ainda mais brilhantes do que antes. Adoro como este álbum me acompanha há tanto tempo e ainda assim me faz sentir que me ensina algo. É tão raro isto. 

Quando me sinto mais distante, desligada, perdida, ouvi-lo do início ao fim é um regresso a mim mesma, é encontrar equilíbrio novamente. Todo ele vibra em mim. “Oh baby… we need to smile…

Sinto-me uma sortuda por ter esta relação com o álbum, por muito parvo que isto soe. Alguém tem também um amor incontornável por um álbum como eu? Ou é só de mim e eu sou estranha?

Monday, April 10, 2017

Random monday stuff


(foto by me a caminho do emprego hoje de manhã. A luz estava maravilhosa e esta foto não lhe faz justiça)

Hoje de manhã pareceu-me ver a primeira estria na barriga. "Paniquei "um pouco e enchi-me de creme porque era a mãe das estrias. Espreitei novamente à tarde e já lá não estava. Provavelmente era algum vinco do pijama. Livrei-me de boa. Por enquanto, pelo menos...

Ontem estive a escrever, finalmente. Foi pouco mas fez-me bem. Também fiz algumas colagens naquele que pode bem ser um futuro art journal. Cortei desenhos meus para lá incluir e desfiz um pouco o mito de que as coisas são intocáveis. Gosto da forma como começo a abraçar estes projectos imperfeitos. Fazem-me sentir que posso sujar e disparatar à vontade. Experimentar e mudar a perspectiva das coisas. Em breve talvez tenha algumas páginas para mostrar.

Cheguei à conclusão que as hormonas pioram exponencialmente o meu road rage, e sei que tenho de me controlar antes que faça um pião e agrida alguém. Aproveitei a calma desta fase e fiz por vir sempre pela faixa da direita para o trabalho, sem acelerar demasiado nem ultrapassar e cheguei bastante cedo na mesma. Não me stressei pelo caminho e pude aproveitar a viagem e simplesmente desfrutar da paisagem e do nascer do sol. A vista privilegiada que tenho todas as manhãs é uma das maiores alegrias do meu dia mas nunca a usufruo como deve ser. Hoje foi o dia. Espero manter-me assim mais algum tempo, em especial quando o trânsito voltar.

Ando a pensar muito no minimalismo. E no mindfulness, porque preciso de controlar os meus nervos e acalmar a mente. Apetece-me simplificar tudo. 
Falando em minimalismo, achei este vídeo interessante. Tem sugestões que merecem a pena explorar, nem que seja apenas pela reflexão em si.

Estou a viciar-me em programas sobre imobiliário e renovações e coisas do género (maldita sic mulher e sic caras). Pena que não possa investir como os senhores dos programas. Mas sonhar e imaginar ainda é de graça.

Tive um jantar com os meus amigos de infância lá por casa, mas o improviso ainda trouxe mais gente e a casa encheu. Esta alegre confusão deixou-me estupidamente feliz

Tive uma segunda feira tranquila e animada, com uma hora de almoço prolongada na companhia de uma miúda fantástica que conheço de blogs há uns anos e nunca tivemos oportunidade de nos encontrarmos com calma para falar (e hoje acabou por ser a correr mas só deu vontade de combinar mais). Adoro como os blogs continuam a trazer-me estas surpresas na vida. 

Esta semana é mais curta e vem aí a minha época preferida. Não sei se já tinha dito que adoro a Páscoa?

Boa semana a todos!

(sublinhei propositadamente algumas expressões em cada um destes acontecimentos. Pontos que marcam cada uma destas coisas, são todas positivas, alegraram-me muito o dia e estou profundamente grata por cada uma delas, mesmo pelo susto da estria. Hoje tive uma segunda-feira atípica, calma e animada, deviam ser todas assim.)

Wednesday, April 5, 2017

A sonhar com isto

Não sei se foi de ter aprofundado um pouco mais a reflexão pela escrita e pelo desenho, se é por andar a ler mais sobre mindfulness, se por levar andar de facto mais empenhada em tirar um tempo para escrever e desenhar, mas ando novamente perdida de amores pelos art journals (haverá uma boa expressão portuguesa equivalente? Diários gráficos parecem-me sempre tão técnicos e sem graça...) que vejo pela frente. Há pouco tempo deu-me para incrementar ainda mais o meu board do Pinterest e ando a sonhar e babar com isto. Comecei inclusive algumas experiências, o meu diário de gravidez é também ele uma experiência nesse sentido, mas ainda sem grandes resultados. 

No entanto não vou desistir. Aos poucos as coisas fazem-se e acredito que depois de arrancar, vai fluindo de outra forma.

Enquanto não produzo coisas suficientemente consistentes para partilhar, continuo a sonhar com alguns destes, e a deixar-me inspirar para as minhas futuras criações. Lá no Pinterest há mais, mas estes chamaram-me a atenção. Adoro os contrastes, as camadas, a textura, a sujidade. Há algo de muito interessante e genuíno num art journal... 






(Ania Leike - daqui)





Usei os links originais e devidos créditos para partilhar estas imagens, se a imagem é tua e quiseres que a retire do blog, por favor envia-me um e-mail para analogirl.blog@gmail.com // I used the original links and credits to share these images, if this is yours and want it removed from the blog, please send me an e-mail: analogirl.blog@gmail.com

Tuesday, April 4, 2017

Dois dias em casa


Isto podia parecer um título meio parodiado de um filme cómico alternativo mas não, foi uma pequena pausa a que tive direito, com o aval da minha médica que me viu demasiado nervosa na última consulta. Esta coisa de não dormir não convém a ninguém, muito menos a uma pessoa que traz outra dentro de si. 

Claro, disse-me que não podia ficar esparramada no sofá a comer (já bem basta o aumento agressivo de peso no último mês) e por isso mesmo dei corda aos sapatos e aproveitei para começar as longas caminhadas que ela recomendou. Vocês que já me conhecem sabem que eu vou sempre para a praia. Ontem fui de tarde, hoje já aproveitei a manhã. Praias diferentes, horas diferentes, públicos diferentes.

Os dias estão tão estupidamente convidativos que só apetece ficar de papo para o ar, e já se nota o movimento louco dos surfistas, dos adolescentes (uns mais parvos que outros), ou dos muitos turistas a passarem pela linha. De manhã o sossego é outro e vemos as pessoas da zona que vivem mais devagar e aproveitam os benefícios de aqui morarem. 

Com mais ou menos gente, a verdade é que mal sinto o cheiro a maresia o meu coração abranda, o meu cérebro entra num estado de pura felicidade e sinto que estou em casa. Não creio que conseguisse viver longe da costa, amo demasiado o mar. 
Pensei que não aproveito o suficiente, que tenho de andar mais, ir para junto da água salgada, sentir a areia, o cheiro. E que tenho de ensinar tudo isso ao miúdo que aí vem, de tudo o que gostava de lhe passar, percebi que o que mais quero é que ele também ame o mar.

Perco demasiado tempo a aborrecer-me com a minha rotina, e com esta altura do ano é tão mais fácil voltar a ter a praia perto de mim, e tudo se tornar mais optimista e luminoso.

Ando a aproveitar também para por as leituras e o walking dead em dia (andei a procrastinar, mas ao menos agora tenho os episódios todos para devorar), e ver se é desta que retomo a escrita nos diários. Também já marquei as minhas mini-férias (a minha babymoon) lá para Maio, que serão muito curtas mas vão ser o balão de ar necessário depois dos preparativos que tenho ainda pela frente. Mal posso esperar.

Depois desta pausa (e ainda o dia de hoje vai a meio) sinto-me novamente capaz de enfrentar a dureza do meu dia-a-dia e talvez, dormir um pouco melhor. Devíamos todos poder fazer isto mais vezes. 

Thursday, March 30, 2017

Switch off

Andava eu lançada com os posts e depois isto volta a morrer na praia. Não tenho mesmo feitio para postar de forma muito regular, mas acho que já todos percebemos isso. Isto é consoante a disposição.

Este mês está a ser complicado a vários níveis, e apesar de tentar manter uma atitude positiva, as hormonas e a falta de sono estão a desestabilizar tudo o que cuidadosamente construí ao longo do ano passado. Durmo 4 ou 5 horas por noite, no máximo, a barriga pesa e cresce, acordo com dores no corpo, a falta de sono aumenta a fome, como mais doces para compensar algumas falhas emocionais, insulto todos no trânsito (e não só), não tenho paciência para as pessoas e desconfio que também já não têm grande pachorra para mim. As arritmias agravam-se todos os dias. Aumentei dramaticamente de peso neste mês. Percebo portanto que estou a entrar num estado um bocado descontrolado. Preciso de um time-out. Abrandar.

Por isso vamos recomeçar devagar. 

Controlar os desejos maníacos por doces, comer bem, alimentar o meu corpo e a alma. Respirar devagar, porque nesta altura é tão fácil ficar ofegante. Os dias mais longos chegaram e há que começar a dar uso aos ténis e à praia tão próxima de mim para as caminhadas e os passeios que tanto desejo. Ler muito. Ler é a minha cura para tudo.
Quero preparar a chegada do bebé com calma e aproveitar cada segundo desta fase. Em breve ele estará cá fora e aí vai ser tramado escrever regularmente no blog.
Ele está bem e é o que mais interessa. Mas quero ficar bem para ele também. E para mim, que mereço.

Volto em breve com as minhas histórias, quero tanto escrever!
Para já, não estranhem, vou devagarinho.

Tuesday, March 14, 2017

5 coisas que... epá não



Esta coisa de estar grávida faz-me pensar nos registos desta fase, e a querer concretizar alguns desejos para aproveitar a barriga e esta fase bonita, e tirar maior partido de quando a criança nascer e assim… Mas vá, com alguns limites. Há coisas que não me imagino a fazer nem que a vaca tussa. E isto não é uma crítica a quem faz, mas são pequenas coisas que não têm nada a ver comigo e não tenciono fazer de todo. 
E aqui abaixo segue as 5 coisas que não quero fazer na gravidez/pós-parto. 

1- Sessão fotográfica semi despida. Gosto muito da minha barriga e tenho orgulho dela, mesmo que esteja enorme, mas… não quero de todo tirar fotos em biquini ou algo parecido. Claro que vou querer fazer uma sessão de fotos de grávida, e eventualmente talvez mostre alguma pele mas… epá não sei, não é para mim. O mesmo se aplica ao pai da criança. Há fotos sexy do casal com a mulher grávida sim senhora (esta é uma delas, para mim, mas convenhamos, eu não sou a Carolina), mas acho que não é a minha cena. Ou se o fizer ficam bem guardadas apenas e somente para meu gáudio pessoal. Já vi coisas medonhas por aí, é tão fácil resvalar para o mau gosto.

2- Pintar a barriga para eventos, fotos, etc.. Pois, não quero mesmo, não tolero de forma alguma. Nem moldes de gesso, já os vi à venda em supermercados (nem tinha onde guardar aquilo em casa). Na minha barriga só creme gordo, obrigada.

3- Voltando às sessões fotográficas, não quero nada em estúdio, com sapatinhos, letras, corações com as mãos, o nome da criança, whatever. A criança ainda não tem nome e tanto quanto sei até posso mudar de ideias quando o conhecer, por isso, quero a cena o mais neutra possível e vá… uma sessão de grávida até é capaz de ser mais sobre a mãe (e o pai) do que sobre a criança. Ou não, mas pronto, na minha óptica não concebo. 

4- Falar em nome dele. Não me estou a ver a mandar mensagem tipo para a família quando a criança chegar a este mundo ao melhor estilo “Sou o …. Nasci com xx kgs às tantas horas de parto natural. Eu e a minha mamã estamos bem… yadda yadda yadda”. Não. Não é a minha cena. Talvez aconteça uma derrapagem qualquer do estilo “olá tia” para a minha irmã, para a minha cunhada ou assim, mas nada mais significativo que isso. Se quando fizer um ano eu escrever o convite em nome dele autorizo quem quer que seja a esbofetear-me.

5- Por último, e para mim, um autêntico flagelo, fotos de recém-nascido ao estilo Anne Geddes são completamente postas de parte. Nada de decorar o bebé, enfiá-lo em baldes, obrigá-lo a apoiar a cabeça nas mãos, deitá-lo em tapetes de pêlo. Não consigo, acho horrível. Quero fotos naturais. Eventualmente gostaria de fazer uma sessão pós-parto com aqueles momentos mágicos do começo e claro, na intimidade do lar, umas fotos deste ou deste género. De resto quero as básicas do dia-a-dia, sem artifícios nem encenações.

E pronto, é isto. Sinto-me tão aliviada. Peço desculpa se ofendi alguém que fez qualquer uma destas coisas ou se acha piada, mas eu tenho de ser honesta e não gosto mesmo. Cada um com a sua mania. 

Monday, March 13, 2017

Coisas minhas

(Foto: unsplash)


É engraçado como há peças da vida que se encaixam de forma tão curiosa. Por vezes parece que as coisas acontecem de propósito. 

Há dias cheguei à conclusão que por vezes me sinto abatida e triste porque deixei de apreciar as coisas boas, aquelas por que estou grata. Por vezes olho para tudo como se fosse um problema e fico a remoer sem necessidade. Ando a tratar de afastar esses pensamentos e fazer por me lembrar que a gratidão tem muita razão de existir. E há sempre coisas que fortalecem essas decisões por vezes tímidas.

A semana passada, para além de perder a minha avó, perdi também uma oportunidade. Bem, na verdade ninguém me garantiu que teria essa oportunidade, mas era algo em vista, que poderia ou não arrancar. Pois que arrancou e eu não fui considerada. Senti-me um pouco rejeitada e desvalorizada, e não são sentimentos fáceis de lidar. 
Especialmente quando se percebe que se fez um esforço e ninguém viu, quando uma pessoa cria expectativas de que aquilo seria ideal e bom, especialmente quando sentimos que é injusto. 

No entanto tive de erguer a cabeça e repensar. Queria mesmo esta oportunidade? Queria mesmo seguir este caminho? Não seria dar passos atrás? 
Percebi que se este caminho se tivesse aberto à minha frente que me iria suscitar mais dúvidas que garantias, mais cansaço do que conforto. E eu já passei o suficiente para não querer voltar a agitar as coisas da maneira errada. 

Percebi também que percorri grande parte da minha vida pessoal e profissional sem um objectivo de maior (e não há nada de mal nisso, “nem todos os que vagueiam estão perdidos”, já dizia o nosso amigo Tolkien), sem ambições específicas sem ser de trabalhar honestamente, ter uma vida minimamente cheia de experiências pessoais, viagens, a busca de uma família, o criar uma casa confortável, ler livros que gosto, investigar assuntos de interesse… E acho que o tenho feito até agora. Ainda não fiz tudo, mas também não queria conquistar tudo agora. 

E percebi que nem todas as oportunidades de fazer coisas diferentes são feitas à minha medida. Já tinha aprendido isto, e também a aceitar quando assim o é. E esta é claramente uma situação dessas.

Não estou assim tão longe dos objectivos que imaginei para a minha vida. É claro que quero mais. Este ano tenho recuperado uma vontade cada vez maior de sonhar e produzir. Voltei a escrever aqui, pinto e desenho mais. Escrevo mais. Sinto que atingi alguns bons patamares, culminando mesmo nesta gravidez tão desejada. A partir daqui se calhar posso ser mais ambiciosa e criteriosa. Já conquistei tanta coisa, talvez pouco palpável, mas que interessa tanto, que a partir de agora sinto que vou mesmo começar a lucrar.

E, passado o sentimento de frustração, a verdade é que fico aliviada. Posso libertar-me de algumas amarras que me seguravam, posso olhar mais genuinamente para o futuro, posso descortinar outras oportunidades e agarrar-me a elas com outra força, mais confiança e mais consciência. Sinto que muitos dos passos que dei eram mesmo para me trazer até aqui, para me trazer de volta a mim.

A minha palavra do ano faz cada dia mais sentido, encaixa perfeitamente em tudo o que tenho vivido, dá-me fé no que aí vem. E ter noção disto é absolutamente fantástico. 

Sunday, March 12, 2017


E para animar um pouco o domingo...