Monday, April 16, 2018

Desabafo

Perdoem-me a fra(n)queza, mas eu tenho de perguntar... como é que as mães fazem?! Como é que se conseguem organizar para fazer jantar para toda a família, para limpar e destralhar a despensa, para inventar receitas, para por os filhos mais velhos à escola, para manter a roupa em dia, como? Estes exemplos são apenas ilustrativos, claro, mas há por aí muita mãe nesta bonita blogosfera e afins, que conseguem fazer mil coisas, e algumas têm bebés pequenos. Ok, quando já é o segundo ou o terceiro filho a coisa deve descomplicar à grande mas eu por vezes ainda me sinto tão arrebatada, tão assoberbada e a tentar manter-me à tona, que fico boquiaberta com os feitos destas mulheres. Como é que conseguem?

É porque os vossos bebés dormem melhor do que o meu? Os vossos maridos participam mais do que o meu? Têm mais força de vontade do que eu? Acredito que muitas tenham ajuda que eu não tenho mas isso não lhes tira o mérito de conseguirem equilibrar tantas outras coisas... e eu até me acho uma pessoa organizada e capaz em tantas coisas. Mas não consigo fazer uma lista semanal das refeições, não consigo tirar muito tempo para me enfiar na cozinha a preparar alimentos para a semana, nem para limpar o pó ou a casa de banho às vezes tenho tempo... quanto mais para fazer posts e tirar fotos e elaborar textos com cabeça, tronco e membros. Ou talvez eu não tenha nada para dizer, também pode ser isso.

E isto não é uma critica, nada disso. Isto é pura inveja e curiosidade também. Porque há oito meses que a minha vida tem de ser pensada antes de agir, que tenho de planear todos os passos e preparar tudo de antemão, porque a espontaneidade parece ter ficado perdida no tempo e que cada acção que eu tenha de tomar seja sempre rápida e sem pensar muito senão começo a amolecer e desisto (sair com o miúdo para umas compras, por exemplo, e aproveitar as janelas de tempo em que ele não vai precisar de comer e com sorte, de mudar a fralda também).
As coisas evoluem e melhoram, eu sei, e já tanto melhorou, já posso respirar em tantas situações que antes me sufocavam completamente (dar de mamar de 2h em 2h é das coisas mais paralisantes que já vivi) mas sei que isto não volta exactamente atrás e aceitar que agora este é o meu novo normal é ainda difícil. Não sei se alguma vez vou descontrair e aproveitar a viagem, se vou largar a necessidade de controlo ou a ansiedade de ter de cumprir com determinados requisitos. Não sei se farei posts com imagens bonitas e textos cuidados aqui no blog outra vez (há dias em que acho que é melhor abandonar o tasco porque não sinto que acrescente seja o que for). Não me sinto ainda capaz de abraçar projectos ou ideias a longo prazo. E custa assumir as limitações. Custa sentir que tanto depende de mim, e que as minhas coisas estão em suspenso por tempo indeterminado. É quase como passar novamente pelo burnout - despojar tudo e depois começar a construir aos poucos.

Não que eu esteja a morrer de vontade de fazer mil outras coisas. Mas gostava de encontrar a disponibilidade mental e na agenda para voltar a fazer algumas coisas de forma mais espontânea. Não me consigo ainda descontrair. Ou então estou a ver tudo pela perspectiva pré-filhos, em que não havia o risco de ser interrompida nestas coisas, em que eu dependia só de mim... talvez precise mesmo de ver ascorosas por outro prisma, até porque este é um dos momentos mais bonitos que já vivi e quero honrá-lo ao máximo. Mas também gostava da minha vida antes, que fazer?
Vida complicadinha, esta!

Wednesday, April 11, 2018

Da morte e de como há coisas que não desaparecem

Quando o Freddie Mercury morreu, eu chorei. Tinha 9 anos e mal conhecia os Queen. Mas ouvi uma música dele na rádio, numa noite em que passeava com os meus pais no carro, e algo na voz dele me tocou profundamente. Nessa semana tinha também morrido o pai de uma colega minha, e foi um choque enorme. Chorava por ela, que perdeu o pai tão pequena, chorava pelo pai dela que morreu longe de casa, pelo Freddie que tinha tanto talento e desapareceu deste mundo, deixando-nos órfãos de uma das melhores vozes já ouvidas. 

Por vezes a morte parecia-me perfeitamente natural, por vezes parecia-me absolutamente devastadora. Ultimamente tem sido demasiado presente na minha vida. Não só a perda da minha mãe passou a fazer parte de mim desde há quase 12 anos, como os mais velhos da família vão envelhecendo e desaparecendo, todos os anos. E por vezes isso me faz sentir que a minha vida é um arame e eu atravesso-o sem rede de apoio. Ou pelo menos uma muito roída e velha. Perder os nossos idosos faz-me sentir como se me roubassem uma parte de mim, da minha infância.


Sempre tive uma predisposição melancólica e cedo percebi que há coisas que não voltam nunca. Provavelmente foi nessa mesma noite em que chorei pela morte do Freddie Mercury e do pai da minha amiga de escola. Agora, com um filho a coisa piora, até o medo da morte (menos por mim, mais por ele), e com os números de roupa e de fralda a subirem, percebo que vou passar o resto da minha vida no paradoxo de mãe de o querer ver a crescer e desenvolver-se, de o amar cada vez mais a cada dia, e querer voltar atrás e tê-lo aproveitado mais, se bem que já absorvo tanto dele todos os dias. Uma luta absolutamente inglória, claro.

Hoje ouvi o álbum “A night at the Opera” dos Queen, e a última vez que o ouvi completo deveria ter uns 11, 12 anos. Passava os dias de férias em casa da minha avó, e nesta fase da pré-adolescência, eu, que sempre gostei de estar sozinha, fugia para o quarto do meu tio M., enquanto ele trabalhava e jogava solitário no velho PC dele, enquanto ouvia CDs na aparelhagem que ele tinha no quarto. Este CD dos Queen saía diariamente da prateleira de cima da estante e eu ouvia-o até me cansar, a ler as letras no encarte da caixa. 


E percebi de repente que hoje faz 2 meses que a minha avó morreu. E ainda não concebo um mundo sem ela. Porque na verdade, no meu mundo, ela está lá sempre. Assim como eu estou ainda no quarto do meu tio, a ler a letra do ’39, e a sonhar ao som das músicas do Freddie e companhia. E a minha avó depois teria ido refilar comigo que estava fechada lá no quarto dele há demasiado tempo. Assim como ainda tenho 9 anos e acabo de perceber a profundidade da morte. Assim como ainda abraço a minha mãe e com jeitinho ainda lhe sinto o cheiro e ouço o som da sua voz. O mesmo para o meu avô e a minha outra avó. 

Cabe tanto mundo em algumas notas musicais. Cabe tanto de nós na música, no cheiro, nas memórias que não se apagam. Há que mantê-las junto a nós. E partilhá-las. Como estou a fazer agora.

 

Wednesday, March 28, 2018

Na lua

Hoje movo-me como se estivesse na lua... muito devagar. Ando a quebrar devido à falta de sono. E é um fardo que não consigo partilhar porque há todo o factor amamentação e a pequena criatura ainda não percebeu que à noite deverá dormir, não compensar o leite que não mama durante o dia. Ainda assim, e para aumentar a frustração mas ao mesmo tempo acalmar o meu coração de mãe, não consigo capacitar-me a “treinar” o sono do meu filho. Não que o instinto materno transborde de mim assim à doida (aprendi da pior forma que não é assim uma coisa automática), mas se não me sinto confortável com um passo simplesmente não o dou. 
Então por enquanto ando nisto. A dormir de mama de fora. A aconchegar um corpinho pequeno junto a mim. A encher-me de paciência e a dar muitos beijinhos. A dormir em pé e a perder o sono quando já o adormeci. Mas a acordar e ver um sorriso desdentado, as bochechas gordas com covinhas e o entusiasmo naqueles olhos pestanudos (não sei onde foi buscar pestanas tão grandes, o miúdo) de viver um novo dia e tudo se renova em mim também. E fico tão grata por estar viva, por ser a mãe deste miúdo espetacular, por poder partilhar o entusiasmo dele e viver estes momentos. Até agradeço pelo cansaço. E gostava MESMO de agradecer por haver a hora da sesta no trabalho... só que não. Por isso continuamos no mundo da lua.
Bom resto de semana pessoas do meu coração! 

Monday, March 19, 2018

Dia dos “meus” pais

Tive a sorte de ter mais que um GRANDE (assim, com maiúsculas) exemplo de pai e de homem na minha vida. Tive a sorte de, apesar de nascida e criada num meio tão patriarcal, de ter tido sempre quem me ouvisse e me considerasse como uma igual, que tentava compreender as dores de período, a cabeça complicada de uma rapariga, adolescente, mulher. Tive a sorte de ter comigo homens de coração tão grande que sei que fariam de tudo para me apanhar quando eu cair, mas que me deixam em liberdade porque na verdade eu gosto de ser livre e estar sozinha. Respeitam o meu espaço. Ouvem as minhas dores. Apoiam os meus sonhos mais rebuscados. Tive um grande avô, que me encheu o coração de amor e compreensão , tenho um grande pai, que, escuso de sublinhar, tem sido pai e mãe em pelo menos metade do seu percurso na paternidade, sempre aberto a aprender, a aceitar que a vida é mais do que as rotinas e sempre pronto a defender as filhas. E sei que dei um grande pai ao meu filho, que o ama incondicionalmente, que o vai apoiar nas suas escolhas, mesmo que não sejam as dele. 
Porque o comum neles é sempre desejar a felicidade dos filhos, dos netos, é deixar ser quem são e estar ali, a ouvir, a apoiar, a sentir as dores e a abraçar como só os pais sabem fazer. E como eles tenho felizmente outros grandes exemplos na minha vida. Tios, amigos, primos.
Feliz dia do pai a todos os “meus” pais. 💙

Tuesday, March 13, 2018




Em miúda, na primária, não havia ano em que não escrevêssemos uma composição sobre a Primavera. Na altura escrevia as frases-chave, “dias mais compridos e quentes”, “o regresso das cores”, “brincar mais lá fora” e ficava-me por aí. Na verdade, eram cópias atrás de cópias das fórmulas já apresentadas nos livros da escola. Nunca na vida me tinha dado ao trabalho de observar a Natureza.
Depois, na adolescência, a primavera tornou-se a minha Nemésis. Com a sinusite no auge, dores nos olhos, nariz pingão, a última coisa que eu queria era lembrar-me que era primavera.
E eis que agora encontro outra paz nesta coisa de observar a mudança das estações. E sim, muito particularmente da Primavera. Porque é mesmo algo por que ansiar, uma espécie de luz no fim do tunel do Inverno (e se eu gosto de Inverno, pessoas). E dá-me um gozo enorme observar que mesmo por entre as tempestades que nos assolam nestes dias, a Primavera continua a vir. Não há alterações climáticas que impeçam as estações de mudarem, mesmo que as estações estejam um pouco bipolares nos dias que correm. E a Primavera é a que mais facilmente nos entra no espírito, e realmente nos alegra e nos faz acreditar em dias mais luminosos. Uma estação optimista. E tem-me dado um gozo gigante registar o desenvolvimento, o desabrochar desta estação ao longo dos dias, lá para o meu instagram. Um dia não é igual ao outro, mesmo que estas semanas pareçam um longo dia de chuva. 

Monday, March 12, 2018

Um mês depois estávamos à volta da cama prontos a escolher roupa. Depois dos procedimentos legais é sempre da roupa que se trata. Abrimos caixotes, sacos e revirámos gavetas. Separámos roupa, guardámos algumas coisas para nós, outras para dar. Outras para o lixo. Encontrámos recordações que vos démos num passado distante. Encontrámos objectos perdidos na memória. E eis que sai um casaco de homem do guarda-fatos. O meu tio questiona-se se será dele uma vez que aproveitava o espaço para alguns fatos dele, mas ninguém o reconhecia. Por baixo havia um colete. Era um fato de cerimónia. E percebemos que aquele fato deveria ter sido usado apenas uma única vez, há cerca de 60 anos atrás... era o fato de casamento do meu avô. Um silêncio comovido e espantado tomou-nos. Tantos anos depois da morte do meu avô ainda há tanta emoção e amor. E percebemos que este luto, esta arrumação vai ser longa. Porque a minha avó era a última. E nas recordações dela vão estar muitas outras de outras vidas. Do meu avô, da minha mãe, da minha prima, da minha bisavó. Tantas vidas por detrás de uma só. Preciosidades. Um tesouro. A nossa família, viva e morta, toda ali.

7 meses

Há dois meses escrevi este texto, quando o meu filho fez 5 meses. E num piscar de olhos já tem 7. Mais uns dias e começo a planear a festa de aniversário dele. O tempo voa, foge, corre. E é delicioso tanto quanto assustador.

Há 5 meses, no hospital, depois de tantas horas na sala de partos sem sucesso, uma rápida decisão da médica mais antipática de sempre e vi-me noutra sala, de luzes mais brilhantes, de instrumentos, de prontidão. A médica podia ser antipática, mas foi eficaz. Pareceu-me que não passaram mais de 10 minutos desde que me abriram e agitaram as entranhas, quando ouvi um choro rouco que, percebi ali, estava directamente ligado ao meu coração, bastou-me ouvi-lo para os batimentos aprenderem um novo ritmo. Lembro-me de morrer de curiosidade para o ver, e a anestesista (cuja simpatia suplantava a antipatia da médica) ia-me descrevendo o Gonçalo, cabeludo, moreno, pesa 4,200kgs, tão grande! (“Ainda bem que saiu por cima e não por baixo “- nunca mais me esqueço disto). E enfim trouxeram-mo, para junto do meu pescoço, e eu senti a suavidade da pele dele na minha, e a lutar para as lágrimas não saírem, falei-lhe. O choro dele interrompeu-se, os olhos abriram-se e eu juro que ele me viu a alma. Reconhecemo-nos, conhecemo-nos. A vida pode atirar-nos para direções opostas e sei que virá um tempo em que ele não me quererá por perto, por isso agarro-me tantas vezes a está memória, bebo todos os momentos, mesmo aqueles mais difíceis do início, quando não sentia ainda “aquela” ligação, “aquele” amor. Não é imediato, é um facto. Mas o tempo dita que as coisas se ajustem, e hoje não falta cumplicidade e amor nos nossos gestos mútuos. Também há muito gozo, porque acredito que o safardanas já tem sentido de humor e goza com a minha cara todos os dias. Esta madrugada, uma particularmente difícil, ele não dormia e eu sinto-me por vezes uma miúda com um bebé nas mãos e não percebo muito bem como isto me aconteceu. E sou tomada de uma emoção que me suplanta e esmaga e percebo... foda-se, sou mãe!💙

Friday, March 9, 2018

Esta coisa de regressar donde, no fundo, nunca se partiu

Queria deixar respostas a cada comentário que se deram ao trabalho de escrever no post anterior mas fiquei tão maravilhosamente comovida com as vossas palavras que não sabia bem o que dizer. Obrigada antes de mais por tirarem um bocadinho do vosso tempo para me presentearem com as vossas palavras, logo eu que, apesar de vos ler sempre que posso, falho redondamente na parte de comentar.

Com isto queria apenas dizer que os posts vão começar a ser mais curtos, mais simples. Se já não eram muito planeados, agora ainda são menos. Muitas vezes dava por mim a escrever alguns pensamentos no meu Facebook pessoal e a pensar que gostava de os partilhar ou elaborar por aqui. Pois bem, não há tempo para elaborar, por isso vou abraçar esta nova fase com conversa mais rápida e espontânea, as imagens e fotografias que conseguir quando conseguir, e toda a alegria de aqui voltar mais assiduamente. 
De um início de ano assumidamente mais triste e cabisbaixo esta coisa de tentar voltar ao blog anima-me muito. Sem planos editoriais, sem grande critério, mas muito eu. E vamos lá a isto...

Thursday, March 8, 2018

Este é o post que ando a escrever há semanas e não termino...

Queria escrever mais no blog mas não consigo. Sinto que se perdeu um pouco o objectivo. Já não desenho nem pinto nem crio. A minha cabeça faz planos mas as minhas mãos e corpo não conseguem acompanhar.

Não escrevo tanto porque ando triste. A morte da minha avó foi um golpe duro de roer e tentei escrever tanto sobre isso que me desalentei em exaustão de saudades. 

Não durmo, a maternidade está a ser um desafio constante ao nível do sono. Tenho pouco apoio da minha cara metade, não porque ele não queira, mas porque temos horários incompatíveis. 

Voltei ao trabalho há um mês. E agora até gosto de segundas feiras. No trabalho a mente descansa e foca-se. E não há falta de sono que me tire a vontade de escrever.

A maternidade é neste momento (ainda) uma grande parte de mim (creio que será sempre mas fui arrombada com a violência deste amor). Há dias em que quero mais bebés, no plural. Há outros em que quero apenas o meu pequeno Gonçalo e não quero fracturar o meu coração em mais pedaços de tanto amor porque não sei se aguento. E eu também quero ter-me a mim de novo. 

Escrevo textos melhores na minha mente do que o são no blog ou no meu diário. Escrevo muito mais na minha cabeça que no papel. Mas quero escrever.
O meu blog está diferente. Eu estou diferente.

Mas vou continuar a escrever. Porque eu gosto tanto de o fazer. Porque quero partilhar o que penso. Assim, sem grande objectivo e rumo.
Espero que me perdoem a mudança de direcção . Eu quero continuar a escrever mas o blog não pode ficar igual. Vai navegar ao sabor da minha vida.  

Vai ser bom.
E eu quero regressar.

mulheres

Dispenso flores neste dia. Dispenso desejos de “feliz dia”, dispenso presentes e promoções de lojas só e apenas dedicadas às mulheres. Eu hoje só queria sentir compreensão, carinho, reconhecimento. Permitam-me o desabafo... é difícil ser mulher, e se se for mãe acresce mais um nível de dificuldade, e se não há direitos, acresce ainda mais, se nasceste no lugar errado, ainda mais. Ser mulher é como os níveis mais difíceis dos videojogos, com os piores bosses. Não é possível existir uma igualdade plena porque os géneros serão sempre diferentes, as responsabilidades diferentes. Ainda assim, merecemos igualdade de oportunidades, de salários, de tratamento, de reconhecimento. Fazemos sempre mais e estamos sempre a dar provas de tudo. E não faz sentido. E hei-de sempre questionar isto. Ao mesmo tempo que assumo todo o meu quinhão de responsabilidades “femininas”. Com todas as contradições que isso implica. Eu sei. É complicado e por vezes muito parvo. 

Mas eu tenho sorte. Cresci em liberdade. Posso votar. Posso abortar. Recebo o meu dinheiro. Tenho o meu emprego. A minha casa. O meu carro. Os meus livros e as minhas coisas.  Tenho muito. Tenho oportunidades. E ideias, e projectos e vontade. Tenho tanto e estou tão grata. E ao mesmo tempo ainda falta tanto para me sentir igual aos homens.
Este dia ainda faz sentido. Para mim e para todas as mulheres. Para as minhas mulheres. As que me antecederam, as que me precedem, as que me acompanham. Mães, avós, irmãs, amigas, tias, primas. 
E agora, música.




Monday, February 12, 2018

Pretérito perfeito

Daqui a 7 dias vai fazer 9 anos que escrevi este post, no meu blog anterior. Estive a manhã toda à procura deste texto porque julgava que já o tinha publicado aqui na box. Fico tão feliz por tê-lo encontrado.
Porque este ano, daqui a 7 dias, eu poderia repetir quase tudo o que escrevi, mas já só posso escrever no pretérito perfeito e não no presente. Hoje vim trabalhar com o vazio dela presente em mim. A saudade dói-me na alma. Em menos de um ano despedi-me das minhas avós. Estou cansada disto, de ver gente a morrer, de me despedir. Ficam as palavras do orgulho que sempre senti dela. Da minha admiração.
E prometo um regresso um pouco mais feliz para breve. Para já, o eco dos anos passados...

“ A minha avó faz hoje 77 anos. Apetecia-me dar-lhe 77 rosas brancas, 77 beijinhos, 77 abraços, e, porque não, 77 chocolates, porque ela é gulosa como eu. 
Tem um feitio tramado a minha avózinha, diz o que lhe passa pela cabeça e não pensa nas consequências, que às vezes se viram contra ela. Fuma e ouve a televisão muito alto, porque os ouvidos já não são o que eram. Cozinha divinamente, sempre com muita gordura, e tem o colesterol muito alto como dita a genética (coisas que eu e a M. herdámos também), mas que até agora nunca causou nenhum problema. Diariamente sai de casa, desce o 2º andar pelas escadas, caminha 1km até ao centro comercial ali perto onde compra o jornal e volta para casa. Como dorme poucas horas por dia, costuma dormitar à tarde depois do telejornal, às vezes até durante as novelas preferidas dela.

É a mulher mais corajosa que conheço. 
Abrigou a minha bisavó até quase ao fim da sua vida, mesmo trabalhando e tendo três filhos para criar, tomou conta da prima viúva que não tinha filhos quando o cancro a estava a corroer e ficou com ela até ao último minuto. A minha avó vive sozinha há cinco anos e três meses, desde que o meu avô partiu, e ai de quem lhe ameaçar tirar a independência. Perdeu o marido e a filha no espaço de dois anos e meio, mas nunca desistiu de lutar e de ajudar sempre que possível. De quando em vez cozinha para nós, e enche-nos de mimos. Muito frequentemente as palavras delas vêm acompanhadas de lágrimas, mas mantém-se forte e, quando preciso, também posso desabafar no ombro dela. Dizem que herdei dela a cor de pele e o cabelo (que era lindo, obrigada) e o corpo, claro, que também era o da minha mãe. 
E de todas as minhas recordações de infância, as relacionadas com ela são as mais presentes, pois sempre me fez sentir amada e acarinhada. A casa dela é o meu templo, ali sinto-me sempre bem, apesar das lágrimas que já lá foram derramadas ao longo dos anos. Ela faz parte de mim, e ela não sabe disto, mas não há dia em que não agradeça a presença dela, acho que nem desconfia como é importante para mim. Quando trabalhava mais perto de casa ia lá almoçar ou aparecia mais frequentemente ao fim da tarde, só que a vida complicou-se e esses momentos deixaram de ser tão frequentes.
Mas hoje, depois do trabalho, vou aparecer lá em casa com chocolates, flores, abraços e beijinhos. Porque ela merece. Porque a quero ver sorrir, porque quero sentir-lhe o cheiro e o conforto, porque quero que ela saiba que estou sempre com ela, porque sei que ver os netos é a alegria dela. Porque hoje ela faz 77 anos.”

Monday, January 8, 2018

Parece que já tenho uma palavra para este ano...

Na verdade, ainda não estava contente com a minha escolha de palavras do ano (tinha duas) e não sei bem como, durante esta madrugada, ao ler um post neste blog sobre a palavra do ano, e eu a pensar que não tinha ainda decidido acerca da minha, uma pequena palavra surgiu, silenciosa e surpreeendentemente. Não dei muito crédito à coisa, mas enquanto amamentava e tentava que o pequeno dormisse (ontem deu-lhe a espertina, vá-se lá saber porquê, eu tinha sono!), a palavra fazia mais e mais sentido. Fico muito feliz que as minhas noites de privação de sono sirvam propósitos um pouco mais úteis do que andar feita zombie o dia todo. Fico é com pena que as páginas do meu diário estejam ainda a meio do processo do "Find Your Word", coisa que tenho feito nos outros anos e tem sido interessante. Mas tempo para escrever não é coisa que abunda para estas bandas, por isso trabalho com o que tenho.


Enquanto reflectia sobre o ano de 2017 e sobre o meu BECOMING, penso que foi um processo muito interessante. Pela primeira vez deixei mesmo uma palavra guiar-me e fixar objectivos e ideias. Um problema que surgiu com esta palavra foi precisamente aquilo que já faço há alguns anos e este ano quero mudar: eu estou sempre a acrescentar coisas à minha vida. Eu quero escrever mais, quero ler mais, quero desenhar mais, quero pintar mais e melhor, quero criar, quero dar mais corda ao blog, quero fazer trabalho diferente, quero fazer voluntariado, quero perder peso, quero ir ao ginásio, quero meditar, quero cozinhar, quero fazer manteiga de amendoim em casa... entre tantas coisas que quero sempre fazer e acumular na minha vida agitada. E durante algum tempo até o fiz... queria gozar a minha liberdade pré-maternidade e andei a tentar aproveitar o meu tempo nesse sentido, a acumular as actividades que queria fazer... e escusado será dizer que muitas coisas ficaram pelo caminho.

Ter um filho fez-me abrandar e reduzir as minhas actividades ao essencial. Fez-me viver um momento de cada vez, fez-me confrontar-me com alguns aspectos negros da minha personalidade. 

Neste ano percebi que consigo ser feliz com pouco, e que as pequenas conquistas importam enormemente. Quando tenho tempo para escrever um pouco, para desenhar, quando consigo ver um filme sem adormecer (mesmo que seja na cama, no Ipad, com um olho no burro outro no cigano), quando me maquilho, fico extremamente feliz. Aquelas coisas que antes faziam parte integrante do meu dia-a-dia deixaram de ser garantidas, e agora tornam-se ainda mais importantes (bem, maquilhar tem de fazer parte do meu dia a dia, especialmente quando voltar ao trabalho, mas vocês percebem a lógica da coisa). 

Outra coisa que notei ao longo deste ano e garantem-me que as hormonas são grandes culpadas, foi a minha tolerância e paciência para as pessoas diminuir drasticamente. Dei por mim a ser mais agressiva, a discutir mais, a questionar ainda mais tudo, a demarcar-me e a ser muito pouco flexível. Quero mudar isso em 2018. Não que eu possa combater as hormonas assim sem mais nem menos, mas posso tentar arranjar estratégias para abrandar e olhar para as situações sem entrar em conflito e sem me passar da cabeça. Até porque depois fico com sentimentos de culpa e acredito mesmo que não se devem alimentar este tipo de sentimentos negativos sob pena de nos afectar e nos tirar o gozo da vida. 
Outra coisa que gostava de apostar mais em 2018 será num pensamento sustentável, reduzir a pegada ambiental e usar menos plástico. 

As minhas primeiras duas palavras que tinha em mente eram AGIR e TOLERÂNCIA, que fazem muito sentido neste contexto de reflexão e intenções, mas... será que teriam força para me acompanhar ao longo do ano? Agir faz algum sentido quando ando a abrandar o ritmo? Senti que estas eram específicas demais para um ano inteiro e há tão mais num ano do que as intenções que se delineiam no início deste.

Por isso ontem a palavra que me surgiu numa inesperada inspiração foi... ESSENCIAL. 
Acho que resume tudo a que me proponho, e abre caminho ao que o ano trará. Não me arrogo de conseguir prever o que acontece quando tenho uma criança que ainda depende tanto de mim, e sinceramente estou farta de acrescentar tarefas e coisas à minha vida. Será um ano em que tentarei abrandar e deixar sair o que não interessa. Claro que quero escrever, ler, criar, desafiar-me, mas uma coisa de cada vez, preferencialmente em paz e sossego, e sem objectivos específicos ou uma agenda. Tenho saudades de desenhar a carvão. Quis tanto explorar outras técnicas que me esqueci do que gostava de fazer no início de tudo. Quero retomar a essência das coisas. Quero fazer o que tiver de fazer com tranquilidade e paciência. Quero ter mais tempo para as pessoas da minha vida, para não me entrar em conflitos e desorientar-me como tem acontecido ao longo de 2017. Com sorte as hormonas ajudam-me.
E hoje mesmo espero começar o meu board do Pinterest com inspiração relativa a esta palavra. Vamos ver como corre.

Bem-vindo 2018. Acho que vais ser bom.

Sunday, December 31, 2017

Uma espécie de balanço...

Este blog anda mais parado mas não está defunto. Perante a dificuldade em sentar-me para escrever com calma os posts que gostava (ou seja o que for, ainda só escrevi duas vezes no meu diário desde que fui mãe, e uma delas está incompleta), uma vez que tenho um bebé que faz sestas-relâmpago, é tão infinitamente mais fácil publicar nas redes sociais os meus pensamentos avulso e alimentar ali a minha relação virtual convosco. 
No entanto um balanço é sempre um balanço, e com a ajuda do desafio da Susannah Conway para Dezembro, o December Reflections, consegui um texto mais composto que já está na minha página de Facebook, e queria deixá-lo por aqui também porque tenho milhões de saudades de publicar algo no blog, ainda que se repita. Creio que publicarei mais coisas em breve, até porque com um novo ano vem uma nova palavra e acho que já sei qual a minha...

Tenho tido vontade de escrever e a minha mente tem vagueado incessantemente pelos balanços de 2017. Ainda tenho tudo tão desorganizado na minha mente, mas vou tentar dar ordem ao caos, devagarinho. Valham-me os temas deste desafio, que me ajudam a orientar o pensamento, ou pelo menos assim espero...
(Dia 11: I discovered that
Dia 17: I let go of
Dia 21: this year was 
Dia 27: 2017 taught me 
Dia 28: my wish for 2018)

2017 foi um ano de descobertas incríveis.
Foi o ano em que vivi a experiência mais incrível da minha vida que me virou tudo do avesso e tive de descobrir o meu novo eu. Quando fui mostrar (exibir) o meu pequeno ser no trabalho a minha chefe disse algo que me ficou e acho que é uma das expressões que mais reflecti ao longo dos últimos 4 meses e meio, que é “new normal”. Aquilo que era a normalidade já não o é. Foi tudo abaixo e agora é reconstruir com novos parâmetros e variáveis. E apesar do caos que por vezes se vive, é muito compensador ver determinadas coisas ganharem forma. 

Percebi que consigo ter vontade e determinação férreas, pelo menos assim foi com a amamentação e quero ver se não me esqueço disto para quando me quiser dedicar a outros projectos de vida. Dói, mas ultrapassa-se.
Acima de tudo, descobri que sou muito mais forte do que pensava, e a minha mente muito mais elástica e adaptável.
2017 ensinou-me o significado de resistência e de força. Ensinou-me mais sobre mim. Para o bem e para o mal. Sinto e vejo as coisas mais claramente. 

Foi este o ano em que me despedi da minha avó paterna, e vi a saúde da outra avó a deteriorar-se perigosamente mas cá se vai mantendo firme, ainda que com as inevitáveis sequelas. Sou grata por elas sempre. E fico feliz por o meu filho poder conhecer uma bisavó.

Este ano despedi-me também de complexos e de preocupações com o meu corpo. A gravidez deu-me uma tranquilidade e liberdade imensa. Depois de parir, e apesar da barriga que se manteve por uns tempos, das estrias que ficaram, da pele que ficou flácida, senti-me grata e apaixonada pelo meu corpo. Agora, já quase de peso recuperado, apesar de precisar de perder mais peso e de retomar uma alimentação mais saudável, e de voltar a exercitar-me, gosto do meu corpo mais do que nunca. Espero que esta paz perdure por longos anos. Libertei-me dos complexos e sinto-me pela primeira vez em muito tempo plenamente integrada no meu corpo.

Não vou negar, 2017 foi um ano algo duro, tudo mudou e eu fui largada no caos, a recuperar pouco a pouco. Chorei muito e penei muito. Acho que andei a piscar o olho a uma depressão pós-parto. Ainda me sinto a escrava das hormonas hoje em dia. Mas sinto-me mais eu, cada dia mais capaz. Enraizo-me no meu lugar no mundo, sinto-me forte para lutar as próximas batalhas. Descobri amigos improváveis e palavras de carinho onde não esperava. Assim como palavras ásperas e atitudes condescendentes onde não imaginava surgirem. Acho que faz parte.

Ainda assim, o balanço é positivo, muito positivo. 

Para 2018 só desejo saúde e alguma coragem. Tenho alguns desafios em mente, e claro, toda uma logística, uma nova normalidade para gerir. Que a força esteja comigo. 

Um feliz 2018 para todos os que me seguem e me lêem e têm uma paciência infinita para mim. Não sabem o quão importantes são. Obrigada por tudo.

Monday, September 18, 2017

As coisas a que nos prendemos... e deixamos ir

Conduzi ontem o meu carro pela última vez. Foi o primeiro carro que tive em meu nome, que comprei. E tem uma história de muito amor e carinho que tenho trazido comigo nos últimos 15 anos. Que quero partilhar agora, que me despedi dele.

Creio que em 2000 o meu tio tinha direito a ter dois carros de serviço que podia passar a alguém da família directa, e que podia renovar a cada 2 anos, e decidiu usufruir desse direito para surpreender o meu avô e dar-lhe um carro... ou vários ao longo dos anos. 

Não me esqueço do momento em que o meu tio lhe passou as chaves para a mão no dia de anos dele, num Agosto já ido. 
A família toda sabia do segredo e estávamos na expectativa louca da surpresa. O meu avô era a melhor pessoa do mundo, merecia tudo o que lhe pudéssemos dar. Lembro-me tão bem daqueles momentos em que o meu tio lhe disse, a medo, não lhe fosse dar uma coisinha com a emoção. O meu avô nem podia acreditar. Ficou comovido. Todos ficámos.
Em 2002 veio o meu carro. Passou pelo meu avô, que infelizmente morreu antes de poder trocá-lo. E depois passou para a minha mãe, que o comprou. E quando ela morreu fiquei eu com ele. 

Antes tinha sido dele, e dela. Era importante por isso. Era um bom carro, económico e rápido e seguro.  Mas foi deles. E eu ali sentia-me protegida e segura. E tudo correu sempre lindamente. Gostava de pensar que eles me protegiam à distância. 

A realidade é que no fundo é só um carro e eu não podia continuar a usá-lo por muito tempo. Está velho e é pequeno. Para uma rapariga de 23 anos foi óptimo e era melhor do que eu imaginava. Se continuasse só eu, ficaria com ele até apodrecer. Para uma mãe de família não dá, simplesmente. Um dia teria de me despedir dele, de aceitar que a vida mudou e o carro envelheceu. Esse dia chegou. 

Mas nada me tira o gozo que foi tê-lo. Nada me tira o prazer de o ter conduzido, das viagens que fiz, da música que cantei a altos berros, das boleias que dei, de ter criado tantas memórias nele, de ter trazido o meu filho para casa nele. Foi meu 11 anos e foi maravilhoso. E agora vai dar gozo a alguém novo, que o vai apreciar certamente.
E eu vou começar uma nova fase, ter um carro a que não me prenda tanto emocionalmente, seguir em frente, ter outro estilo de vida. 

Quanto a eles... estão sempre comigo, a proteger-me à distância, seja onde e como for.

Sunday, September 17, 2017

Ch...ch...ch...ch... changes

(Imagem: popsugar moms)

Não queria bombardear o blog com conteúdos chatos sobre maternidade a torto e a direito mas confesso que é inevitável uma vez que submergi neste mundo e ainda não consegui voltar em cheio. Provavelmente nunca voltarei ao que era antes, com tudo o que isto tem de assustador e libertador. Excepto nos pés, que voltaram a ser feios como dantes, assim como o meu corpo, que, tirando a barriga e alguma flacidez extra, parece ter voltado ao que era sem grandes dificuldades.

Ando perdida num mundo de fraldas, cremes para rabo, mamas e biberões, leite, muito leite, roupa pequenina e muito namoro com aquele pequeno ser que me retiraram das entranhas naquele dia de verão e que tenho vindo a conhecer cada vez melhor de dia para dia. E já passou um mês e uma semana. Por vezes parece que passou a correr, outras, parece que passou uma eternidade. 

Têm sido dias muito preenchidos, sem saber bem onde começa um e acaba o próximo, sucumbi um pouco ao pânico de mãe de primeira viagem (sabemos que será difícil, mas nada nos prepara verdadeiramente para a realidade), e o baby blues não ajudou nem um bocadinho. Tive a sorte de estar rodeada de família e boas amigas com quem desabafei os meus males, pedi conselhos (sou das últimas a ser mãe) e aos poucos superei as inseguranças e as dificuldades com a amamentação, que convenhamos, também é mais tramada do que a pintam. Estou num mundo muito mais tranquilo agora. Não é um mundo isento de sustos e inseguranças mas está a tornar-se aos poucos numa viagem mais amena em que me deixo perder nos doces sons do G. a dormir (ele ronca e é a coisa mais adorável de todos os tempos), das pequenas conquistas diárias, do reaprender da vida em casal e familiar neste pós-parto, da evolução que lhe vejo de dia para dia e as tentativas (muitas vezes frustradas) de encaixar as tarefas do costume quando ele assim o permite. 
Aos poucos as coisas vão encontrando uma nova normalidade e o meu coração enche-se de gratidão por tudo o que tenho. Ser mãe é provavelmente o meu papel mais difícil até hoje, mas acredito que será muito compensador.

E assim em jeito de balanço, depois dos dramas iniciais, já consegui ver os três últimos episódios do Game of Thrones, ainda que muito espaçados, já consegui ler todo o feed do Bloglovin, li um pequeno capítulo do livro que deixei pendurado antes do puto nascer, e já folheei meio catálogo do IKEA. Portanto para mim o saldo é super positivo. Nova normalidade, de facto.

Em breve espero contar-vos a história do meu parto, que, não sendo propriamente horrível (vá, por acaso até foi um bocadinho horrível), não foi nenhum passeio no parque e até merece um post só seu. Darei novidades em breve. Até lá, ando mais activa no facebook do blog e por vezes no instagram. Vemo-nos por aí malta!